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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Até 40 horas ao volante, sem parar

Publicado pela Intelog em 24/08/2011 - O Hoje - CIDADES - Galtiery Rodrigues.

Caminhoneiro viaja, percorre o Brasil, mas sofre. As condições de trabalho não são as melhores e o risco que correm nas estradas é constante.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Goiás já flagrou caso de motorista que dirigia há 40 horas sem parar. Isso aconteceu no final do ano passado e o condutor, já no excesso do cansaço e inconsciente, parou o caminhão na margem da rodovia, desceu, deixou o veículo ligado e dormiu de cócoras no acostamento por mais de duas horas, até que os agentes chegassem.

Ontem, acidente na BR-153 vitimou Glademir Rodrigues Cordeiro, de 24 anos, que ficou ferido e dirigia há 24 horas, tendo dormido por apenas duas durante a viagem.

Veículo grande, pesado, carregado e dirigido por alguém cansado, pressionado para cumprir o horário de entrega e doido para chegar em casa. Essa combinação não favorece em nada, pelo contrário.

A chance de acontecer grande tragédia é muito alta e as autoridades já estão percebendo a importância de combater isso. No caso de Goiás, a situação merece atenção especial, já que a posição geográfica favorece a circulação de motoristas de todo o Brasil.

A PRF se uniu ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para realizar estudo sobre a condição dos caminhoneiros que percorrem o Estado. Na semana passada, a operação Comando de Saúde nas Rodovias foi feita em Jaraguá, a 143 quilômetros de Goiânia.

Cerca de 155 motoristas foram abordados e 96 pegos trabalhando com carga horária excessiva, ou seja, 61,9%. Desses, 11 tiveram de ser interditados, passar por atendimento médico e só foram liberados após retomarem as condições necessárias para voltar ao tráfego.

Além da hora-extra desumana, os prejuízos à saúde não ficam atrás. Um dos homens abordados em Jaraguá, conforme o chefe de comunicação da PRF em Goiás, inspetor Newton Morais, dirigia há 16 horas sem parar e estava com pressão arterial de 220 por 140. Detalhe: ele não sentia absolutamente nada, nenhum sintoma. “E é aí que mora o problema. Um homem assim pode sofrer um mal súbito a qualquer momento”, expõe Newton. O caminhoneiro tinha saído de Belém e se dirigia à Santa Catarina, trafegando com carga de 50 toneladas. Segundo o inspetor, em breve, pode haver mudanças na legislação para regulamentar as condições de trabalho e evitar que tais casos continuem sendo flagrados nas rodovias. “Hoje não há nada que me permite multar ou autuar por tempo excessivo de estrada”, argumenta.

AcidenteNo início da manhã de ontem, em acidente envolvendo dois caminhões de uma mesma empresa na BR-153, a vítima ferida, o motorista Glademir Rodrigues estava dirigindo há 24 horas, tendo dormido por apenas duas horas durante a viagem.

Ele e os outros dois colegas vinham em comboio de três caminhões do Rio Grande do Sul e pretendiam descarregar a carga de maçãs nas Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa).

Os veículos andavam em fila pela rodovia, quando os dois primeiros frearam, por causa de um acidente adiante, e o terceiro, com 25 toneladas de frutas, ou seja, dois mil quilos a mais que o permitido legalmente, não conseguiu parar e se chocou na traseira do segundo caminhão.

Glademir, que conduzia o Volkswagen 23.220, ficou preso nas ferragens e, depois de ser resgatado, foi transferido para o Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa).

Ele sofreu ferimentos nas pernas e urinava sangue, o que levantou suspeita de que pudesse ter perfurado algo internamente. Apesar disso, apresentou-se consciente e o estado de saúde, no final da tarde, era estável.

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