Motorista Comprometido

Motorista Comprometido
Arquivo: HighPluss Treinamentos, 2017.

Notícias

terça-feira, 20 de março de 2012

Impactos do crescimento da frota de motos

As motos que antes representavam agilidade e liberdade hoje refletem em problemas por conta do crescimento da frota, que aumentou 327% em três anos. Os gastos com acidentes envolvendo moto representam 36% dos custos em internações por causa do trânsito, no SUS – Sistema Único de Saúde. As aposentarias por invalidez ocasionas por acidentes de moto somam R$ 8.6 bilhões.

Os impactos do crescimento da frota de motos no País.
Veículos sobre duas rodas são mais poluentes e sujeitos a acidentes graves, representando aumento nos custos do SUS – Sistema Único de Saúde e da Previdência Social.
ADAMO BAZANI – CBN

Se no passado a moto era sinal de liberdade e agilidade, sendo até símbolo de status, hoje representa preocupações sérias em relação ao meio ambiente, transporte, previdência e saúde pública.
De acordo com dados do Denatran – Departamento Nacional de Trânsito, em uma década, a frota de motos no Brasil cresceu 325%, o que totaliza 10, 6 milhões de motocicletas.
Parte desse crescimento deve-se à necessidade de as pessoas se deslocarem de maneira mais rápida nas cidades, a uma ascensão do nível de renda e aos financiamentos e estímulos dados pelo Governo Federal, em especial na gestão de Luís Inácio Lula da Silva, para este veículo.
Mas os impactos disso já são sentidos nas médias e grandes cidades brasileiras. O aumento da frota de motos representa um desafio para as autoridades e parte da solução para isso passa pelo estímulo aos transportes públicos:

POLUIÇÃO:


Além de maiores custos com saúde e previdência, o crescimento da frota de motos traz impactos ambientais. Proporcionalmente por passageiro, ela polui 16 mais que os ônibus. Em número absolutos, as motos poluem três vezes mais que ônibus de tecnologia Euro III, produzidos até o ano passado. Os ônibus produzidos neste ano, com base nas normas Euro V, chegam a poluir bem menos ainda

A moto polui entre 6 e 7 vezes mais que um carro de passeio e 3 vezes mais que um ônibus em números absolutos de acordo com o Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente, levando-se em conta os ônibus com tecnologia antiga, baseadas nas normas Euro III. Os que são produzidos atualmente, seguindo as normas Euro V, são bem menos poluentes.
Para se ter uma ideia, ainda em números absolutos, por quilômetro percorrido, as motos emitem 2,3 gramas de monóxido de carbono contra 0,34 gramas dos carros.
A situação é agravada pelo fato de muitas motos com baixa cilindrada não terem catalisadores, que reduziriam parte dos materiais poluidores.
Mas o cálculo de poluição deve levar em conta não apenas os números absolutos, mas a proporção por passageiro.
Aí é criado um abismo entre motos e ônibus, pelo fato de os ônibus, com um mesmo motor e ocupando proporcionalmente um espaço menor, transportar muito mais pessoas que carros e motocicletas.
De acordo com dados da ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos, com base nos números do Conama, as motos poluem, proporcionalmente por passageiro, 16,1 vezes mais que um ônibus e 9,6 vezes acima dos carros de passeio.
O aumento da poluição representa também custos maiores com a saúde pública e privada, já que causa ou agrava problemas de ordem respiratória.

ACIDENTES, PREVIDÊNCIA E GASTOS COM A SAÚDE PÚBLICA:

As motos também são mais sujeitas a acidentes. Por dia, só em São Paulo, a média de mortes de motociclistas chega a quase dois.
São perdas humanas, famílias destruídas e tristeza. Além do lado sentimental e humano, os mais importantes, há também os custos para os sistemas de saúde e previdência social.
Dados do SUS – Sistema Único de Saúde dão conta que por ano só as internações médicas de médio e longo prazo por acidentes de trânsito representam R$ 187 milhões, isso sem contar os atendimentos que não são considerados internações.
As indenizações pagas pelo DPVAT – seguro obrigatório por invalidez permanente a vítimas de acidentes com motocicleta cresceram entre 2000 e 2010, 274%
De acordo com a Seguradora Líder, que administra o DPVAT, entre janeiro e setembro de 2011, foram pagas em indenizações a motociclistas R$ 1,6 bilhão.
Só de concessões de aposentadoria por invalidez apenas para vítimas de acidentes de moto a Previdência Social deve desembolsar a R$ 8,6 bilhões em 2012.

SOLUÇÕES:

As soluções para os problemas causados pelo grande número de motos não passam apenas por uma ação. Há questões sociais, como a geração de emprego formal. Muitos acabam trabalhando com motos porque perderam suas ocupações ou não conseguiram qualificação necessária para outros empregos.
Na questão relacionada à mobilidade, o transporte público é uma das soluções para o quadro. Para isso, ele deve receber prioridade no espaço urbano para ganhar velocidade, maior freqüência e mais conforto. Os subsídios e incentivos para uma tarifa menor também são parte para que o transporte público se torne atrativo, inclusive para quem anda de moto. Muitos migraram do transporte público para as motocicletas por causa dos valores das passagens.
Assim, neste caso da expansão da motocicleta, o transporte público representaria menos poluição, melhor ocupação do espaço urbano, cidades mais seguras e menores custos em saúde e previdência.
Não se trata de vedar o uso das motos. É um meio de transporte legítimo e todos têm o direito de optarem por qual meio desejam ir e vir. Mas é necessário oferecer alternativas às motos.

Publicado em 20/03/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário