Motorista Comprometido

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sábado, 28 de julho de 2012

GREVE DOS CAMINHONEIROS: Motoristas são massa de manobra????

Caminhoneiros realizam vários bloqueios em estradas contra falta de condições pra o cumprimento da lei que regulamenta a profissão de motorista, que exige jornada máxima de trabalho e pausas durante o turno e contra baixo valor do frete e maior dificuldade de ingresso de novos profissionais autônomos no setor de cargas. Movimento não é unanimidade entre as lideranças sindicais. Algumas consideram que caminhoneiros têm sido massa de manobra nas mãos dos donos empresas de carga. Foto: Reprodução TV Globo GREVE DOS CAMINHONEIROS: Movimento seria iniciativa dos patrões Representantes de duas confederações dizem que caminhoneiros estão sendo usados pelos empresários. Fernando César Oliveira – Repórter da Agência Brasil Fábio Massali – Editor do MSN Notícias Adamo Bazani – Rádio CBN-SP Curitiba – Dirigentes de duas confederações nacionais de trabalhadores da área de transporte afirmam nesta sexta-feira à Agência Brasil que as manifestações de caminhoneiros em rodovias brasileiras, iniciadas na última quarta-feira, 25 de julho, Dia do Motoristra, têm a participação direta de empresários, o que indicaria a ocorrência de locaute (greve patronal). ‘Essa greve não é dos trabalhadores. É dos empresários, é locaute’, afirma o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes (CNTT), filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Paulo João Estausia. ‘Donos de empresas e sindicatos patronais de todo o país estão mobilizados apoiando essa paralisação.’ O Artigo 17 da Lei Federal 7.783, em vigor desde 1989, proíbe a paralisação de atividades por iniciativa do empregador. ‘Já identificamos, em algumas regiões, empresas que estão forçando seus motoristas a parar os caminhões nas rodovias’, diz Epitácio Antônio dos Santos, dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Terrestre (CNTTT). ‘Os motoristas que são funcionários devem denunciar eventuais pressões aos seus sindicatos e não dar um tiro no próprio pé entrando na onda dos empregadores.’ Santos diz que a entidade pretende denunciar essas empresas ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Justiça. ‘Elas estão iludindo os trabalhadores, querem manter o status de antes, com os motoristas rodando de 15 a 20 horas por dia, morrendo e se drogando para se manter ao volante. Locaute é crime.’ Site patronal – Em uma postagem publicada no dia 20 de julho, o site do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Rio Grande do Sul, por exemplo, demonstra apoio à ‘greve geral’ dos caminhoneiros. ‘A entidade que representa as empresas de transporte e logística entende que o movimento é justo’, diz mensagem do sindicato patronal. Para o presidente da CNTT, os empresários do setor estão usando os trabalhadores para manter seus custos reduzidos e não abrir novos postos de trabalho. ‘As empresas estão impondo essa paralisação, dizendo que os funcionários estão descontentes, o que é mentira. Elas [as empresas] é que não querem contratar mais motoristas para trabalhar em dupla, não querem cumprir a lei’, disse Estausia. ‘A falta de estrutura nas rodovias não é razão para os trabalhadores atacarem uma lei que trouxe benefícios históricos à categoria.’ Reivindicações dos protestos – Entre as reivindicações do Movimento União Brasil Caminhoneiro, que lidera os protestos, está o adiamento por um ano da vigência da Lei Federal 12.619. O movimento alega que as exigências impostas pela lei são ‘inviáveis por falta de infraestrutura nas estradas’. Sancionada em abril deste ano, a lei tornou obrigatório, desde o final de junho, o controle de jornada de todos os motoristas que trabalham no transporte rodoviário de cargas e passageiros. Conforme a nova legislação, os motoristas devem fazer uma jornada de trabalho de oito horas diárias, com no máximo duas horas extras, além de uma pausa de trinta minutos a cada quatro horas trabalhadas. A lei alterou artigos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e do Código de Trânsito Brasileiro. Os profissionais que não cumprirem as regras poderão ser multados pela Polícia Rodoviária Federal. Edição: Fábio Massalli Agência Brasil TRANSPORTE DE PASSAGEIROS: As associações que representam as empresas de transportes de passageiros dizem que apesar de terem de fazer algumas adequações, as jornadas de trabalho dos condutores de ônibus não se diferem muito das exigências impostas pela lei que regulamenta a profissão de motorista. Em sua maioria, com exceções logicamente onde ainda há abusos, a carga horária dos motoristas de ônibus é respeitada. Mesmo assim, ocorrem casos de dupla jornada nas estradas ou prolongamento do tempo de trabalho. As companhias de ônibus dizem que os casos de extrapolação de jornada ocorrem quando há fatos que fogem do controle de empresas e trabalhadores, como congestionamentos e problemas que atrasam a viagem. Algumas empresas de ônibus dizem investir na medicina do sono. A Viação Itapemirim, usando o Tribus da empresa, montou um modelo de ônibus destinado para os motoristas descansarem e até tirarem um cochilo reparador: trata-se do Relax Studio, num projeto que foi realizado de forma experimental. O objetivo não foi só fazer os motoristas dormirem um pouco no ambiente do ônibus, composto por salas com iluminação relaxante. Afinal, poucos ônibus não dariam conta de todos os funcionários da empresa que atuam espalhados em quase todo o País. Mas acima de tudo, a intenção foi conscientizar o motorista para ter hábitos saudáveis e saber da importância de uma boa quantidade e qualidade de sono. O Relax Studio possui uma luz que direcionada ao motorista pode provocar um relaxamento e tirar o cansaço do sono, recuperando assim em cinco minutos, o estado de alerta do profissional por mais uma hora e meia ou até duas horas. relax studio itapemirim Empresas de ônibus dizem que têm menos dificuldades para seguirem a lei que regulamenta a profissão de motorista pelo fato de boa parte das companhias, com exceções, estipularem jornadas de trabalho que não diferem muito da nova legislação que hoje é um dos motivos da greve dos caminhoneiros. Algumas empresas levam a questão da medicina do sono a sério e desenvolvem programas voltados para a saúde e descanso dos trabalhadores, como a Viação Itapemirim e a Viação Águia Branca. A Viação Águia Branca realizou um programa destinado aos motoristas com o médico Sérgio Barros, pós-graduado em Medicina do Sono em Paris. Ele garantiu que o número de acidentes graves caiu e que os resultados surpreenderam até especialistas internacionais. De acordo com pesquisas sobre motorista e sono, depois de uma hora e meia ao volante, a atenção e o rendimento começam a cair aos poucos, mas até 3 horas de volante é possível dirigir com segurança. Depois deste período, uma pausa adequada entre 15 minutos e meia hora é recomendável. A empresa também possui salas de recuperação para que os motoristas relaxem o máximo possível. Iniciativas como da Itapemirim e da Águia Branca ainda não são comuns em outras empresas de ônibus. Mas são exemplos, já que as duas companhias disseram que os valores investidos valem a pena pela redução do número de acidentes, indenizações, problemas mecânicos decorrentes de operação inadequada dos ônibus por conta do cansaço, além de fortalecerem a imagem das empresas junto aos passageiros. No caso dos caminheiros, em especial os autônomos, há pouco respaldo e condições para as paradas para o descanso. Eles reclamam de falta de locais seguros para encostarem e das más condições de hotéis e pousadas, o que não propicia descanso suficiente e possibilidade de cumprir as exigências da nova lei que regulamenta a profissão de motorista. Publicado em 28/07/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

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