Motorista Comprometido

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sábado, 11 de agosto de 2012

Negociação da Lei do Motorista opõe antigos líderes do setor

Afastados por um episódio que não ficou bem resolvido há mais de uma década, o mineiro Nélio Botelho e o gaúcho Eder Dal’Lago voltarão a sentar lado a lado nesta semana, quando o governo federal instalará uma mesa de negociação para rever pontos da Lei do Motorista. Ambos representantes de caminhoneiros autônomos, os líderes com posições opostas simbolizam os interesses que ainda dividem a categoria no país. Com influência para colocar o país no acostamento, o presidente do Movimento Brasil União Caminhoneiro (MUBC), Nélio Botelho, não usa freio no verbo: confirma que essa associação civil representa “todo o setor de transporte de carga” – caminhoneiros, empresas. — Quem acionou o MUBC foram motoristas, empresas de transporte e cooperativas — reconhece Botelho, ao justificar a mobilização que provocou bloqueios nas rodovias e até a episódios isolados de vandalismo. A formação do MUBC explica, ao menos em parte, como uma paralisação nacional de caminhoneiros foi repudiada por dezenas de sindicatos da categoria em quase todos os Estados e apoiada por empresas de transporte de carga. Aos 71 anos, Botelho preside também a Cooperativa Brasileira dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Cobrascam) e o Sindicato dos Caminhoneiros do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Embora seja ligado à estrada há mais tempo, ganhou visibilidade em 1999, ao comandar uma das maiores greves de caminhoneiros. — É preciso ter coragem e ideologia para colocar a cara na reta — resume Botelho. No passado, os dois líderes lutaram pela regulamentação do setor Naquela época, o líder no Sudeste e o caxiense Eder Dal’Lago, presidente e fundador da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Fecam), estavam unidos na defesa da regulamentação do transporte rodoviário. Anos depois, porém, Dal’Lago teve de responder na Justiça pelos bloqueios de rodovias feitos por líderes do MUBC. — Nunca fiz piquete em beira de estrada e tive de me defender em quase 10 processos porque Nélio me apontou como líder estadual do movimento — reclama Dal’Lago, 65 anos, lembrando que, na época, Botelho sequer atendia a suas ligações. O episódio fez com que a Fecam se precavesse desta vez, ao se manifestar contrária à paralisação no momento em que o MUBC convocou seus militantes. — Eles trancam estrada e não acontece nada, pois não têm documento no bolso — explica, acrescentando que o movimento não representa legalmente a categoria. Descendente de imigrantes italianos, o caminhoneiro que trabalhou na roça e em oficina mecânica antes de ganhar o sustento na boleia do caminhão iniciou a trajetória sindical na serra gaúcha. Com postura discreta, Dal’Lago defende que a luta em defesa da categoria deve ser firme, porém, sem greve ou bloqueios. — O autônomo é patrão dele mesmo, não faz sentido fazer greve. Motoristas foram parados a pedradas. Formaram uma cortina de fumaça para usar o caminhoneiro como bucha de canhão – conclui Dal’Lago, que promete não levar questões pessoais para a mesa de negociação. Lei do motorista O que será levado à mesa de negociação: * Federações e sindicatos dos caminhoneiros autônomos — Revisão e prazo de 180 dias para vigência da Lei nº 12.619/2012 (que estabelece descanso ininterrupto de 11 horas e intervalo de 30 minutos a cada quatro horas no volante). Entidades defendem descanso obrigatório de oito horas diárias. — Construção de locais seguros destinados ao estacionamento de veículos e descanso para motoristas nas rodovias. — Revisão da resolução da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) que instituiu o cartão-frete, estendendo o uso para todos os transportadores de carga, e não somente os autônomos. — Aprovação do PLS 234/2011, que reduz a alíquota do Imposto de Renda do transportador autônomo. * Movimento Brasil União Caminhoneiro (MUBC) — Suspensão por um ano da Lei 12.619/2012 (estabelece carga horária), até que se construam pontos de paradas para descanso dos motoristas. — Suspensão da resolução 3.658 da ANTT, que instituiu o pagamento eletrônico de fretes, até que o sistema seja estruturado e o cartão aceito no mercado. Até lá, pagamento em dinheiro ou cheque. — Revisão da resolução 3.056 que ampliou de quatro para 18 o número de categorias que podem operar transporte de carga no país. MUBC reclama que foram incluídos mais de 600 mil veículos no mercado de carga pela mudança na Lei 11.442, aumentando a concorrência e reduzindo o valor do frete. Fonte: Jornal Zero Hora Publicado em 06/08/2012 por Rafael Brusque Toporowicz no site http://blogdocaminhoneiro.com/negociacao-da-lei-do-motorista-opoe-antigos-lideres-do-setor

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