Motorista Comprometido

Motorista Comprometido
Arquivo: HighPluss Treinamentos, 2017.

Notícias

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Zezé di Camargo e Luciano falam sobre problemas do transporte brasileiro


Dupla concedeu entrevista à Revista CNT Transporte Atual durante a 19ª edição do Prêmio CNT de Jornalismo.

Fotos: Sunshine/Divulgação e Cynthia CastroZezé di Camargo e Luciano falam sobre problemas do transporte brasileiro
Em uma conversa antes de começar o show da cerimônia de entrega do 19º Prêmio CNT de Jornalismo, os irmãos Zezé Di Camargo & Luciano se mostraram à vontade para falar sobre transporte e trânsito. A cada ano, eles encaram uma maratona de cerca de 140 shows por todo o Brasil.

Utilizam os mais diversos modais de transporte para fazer chegar ao destino correto, e no tempo previsto, toda a equipe e também os materiais necessários para as apresentações. Nas rodovias, são dois ônibus próprios, duas carretas convencionais e uma carreta-camarim. Portanto, além de músicos, são conhecedores de problemas que milhares de brasileiros enfrentam nas diferentes regiões do país em relação ao transporte.

A entrevista aconteceu em apenas dez minutos, em um intervalo das visitas recebidas pela dupla sertaneja no camarim. Mas foi possível abordar, com os irmãos nascidos no interior de Goiás, temas relevantes para o maior desenvolvimento do país e também para a segurança de motoristas e passageiros.

Ao responderem à primeira pergunta, os irmãos disseram que iriam aproveitar a oportunidade de estarem falando para uma revista especializada em transporte e durante um evento que premia reportagens relevantes sobre transporte para fazerem um apelo ao poder público: a urgência de melhoria das estradas brasileiras. “Tem um pedido que fazemos para o governo, em nome dos trabalhadores da área de transporte”, disse Zezé Di Camargo, ao comentar as condições ruins de muitos trechos por onde a equipe da dupla sertaneja viaja.

Com tranquilidade, os dois falaram sobre a necessidade de o Brasil investir mais em ferrovias e fizeram também um outro apelo às autoridades públicas: que os crimes de trânsito sejam punidos com mais rigor, especialmente aqueles que envolvem a mistura de álcool e direção.

O presidente da CNT, senador Clésio Andrade, também destacou a importância de se melhorar a segurança no trânsito e as condições das rodovias do país. Ele lembrou que a última Pesquisa CNT de Rodovias apontou que 62,7% dos trechos avaliados apresentaram algum tipo de deficiência.

DSC04063.jpgA entrevista com Zezé Di Camargo & Luciano foi concedida à Revista CNT Transporte Atual na casa de eventos Opera Hall, em Brasília (DF). A entrega do Prêmio CNT de Jornalismo ocorreu no dia 5 de dezembro. Leia a seguir trechos da entrevista.

Como o transporte está presente na vida de vocês? Vocês têm músicas que falam do caminhoneiro?

Zezé Di Camargo - 
Temos “Rédeas do Possante” e “Voando sem Asas”, duas grandes músicas. O transporte no Brasil, principalmente o transporte rodoviário, é muito importante. Grande parte da produção do país é transportada pelo rodoviário, pelas estradas do Brasil. Aliás, é uma cobrança que a gente faz aqui para o governo, vamos aproveitar o espaço aqui em nome dos trabalhadores da área do transporte. Nós viajamos o Brasil inteiro e é impressionante como, no nosso país, as estradas estão ruins, tirando o Estado de São Paulo, que é um Estado rico e que tem estradas ótimas. Acho que o governo não dá conta de administrar e de dar estrada para o povo. Então, que abra concessões, que abra para a iniciativa privada, para que a gente tenha opções de pelo menos escolher. Em alguns países, a gente pode escolher passar pela rodovia estatal ou pela particular. Se quiser pagar pedágio, paga. Se não quiser ou não puder, vai pela estatal. Mas, de qualquer forma, lá fora todas as estradas são boas.

Nessas viagens que vocês fazem por todo o país, fica ainda mais claro como o problema das rodovias sem qualidade é grave?Luciano - Percebemos muito. Rodamos o Brasil todo. Não fazemos nosso transporte só pelo aéreo. Há muitas viagens pela estrada também porque o nosso equipamento de som e tudo mais são carregados nas carretas que estão aqui hoje. A nossa equipe vai por ônibus, o ônibus da nossa equipe. E percebemos isso sempre (a falta de condições das rodovias). Vale a pena, como o Zezé falou, aproveitar esse espaço aqui para que a gente possa cobrar, para que o governo possa melhorar as estradas do Brasil.

Fora o modal rodoviário, vocês percebem outros gargalos? Por exemplo, vocês precisam utilizar barco de vez em quando?Luciano - Quando a gente vai para Manaus, por exemplo, a gente precisa do fluvial. Usamos todo o transporte e percebemos uma carência grande em todo o transporte no Brasil. Deveria ter uma reforma muito grande para poder melhorar bastante.

Zezé Di Camargo – E ter opções também. Nos países mais desenvolvidos, grande parte da produção é escoada pelo transporte ferroviário. A malha ferroviária é muito grande. Mas no Brasil não. Fazendo uma comparação com o mundo, estamos atrás de países muito mais pobres do que a gente. Seria uma grande opção para desafogar um pouquinho as estradas. No transporte ferroviário, a manutenção é muito mais barata. Para quem está vendendo, torna-se mais barato. Para quem está recebendo, comprando, o transporte é mais barato. Para o consumidor final, o produto vai chegar mais barato. Então, acho que ajuda tudo. Acho que investir realmente no transporte ferroviário, no escoamento da produção do país, que é muito voltado para o agronegócio, principalmente, é importante. Temos que ter um cuidado maior.

No dia a dia, de que forma o caminhão, o ônibus, o avião e outros meios viabilizam o trabalho de vocês?Luciano – Todo o nosso material é transportado pelas nossas carretas. Para boa parte de nossos shows, mesmo quando a equipe usa o aéreo, ao chegar à cidade, já usa o transporte rodoviário. Temos ônibus para a equipe. Temos a equipe técnica, que são as pessoas que cuidam do palco, do som, da luz. E tem ônibus que cuida da nossa equipe musical, dos nossos músicos. Eu e o Zezé viajamos mais com o nosso avião. Então, utilizamos todos os tipos de transporte. Não dá para imaginar tudo sem uma logística.

Em relação à segurança no trânsito, o filme “Dois Filhos de Francisco” mostra que vocês perderam um irmão em um acidente, há muitos anos. Atualmente, como vocês veem essa questão da segurança no trânsito no Brasil? O que é necessário?Zezé Di Camargo – Tenho uma cicatriz até hoje (respondeu Zezé, mostrando uma marca no supercílio esquerdo. Quando Zezé tinha 12 anos, formava a dupla “Camargo e Camarguinho” com um irmão de 11 anos. Em uma viagem de volta de uma apresentação em Imperatriz, no Maranhão, eles sofreram um acidente de carro, e o irmão faleceu). É preciso fazer muita coisa (para aumentar a segurança). Primeiramente, investimento na educação do brasileiro que está dirigindo. E também as leis precisam deixar de ser brandas como são.

Sobre a Lei Seca, por exemplo, você considera que precisaria haver um rigor a mais na fiscalização?Zezé Di Camargo – Eu acho que quando a pessoa comete um acidente quando ela estava embriagada, não tem que ser considerado um crime culposo, sem intenção. Mas, sim, tem que ser crime doloso (com intenção). A pessoa que assume a direção bêbada sabe o que pode cometer no trânsito, tem noção do perigo que está correndo. Baixar a maioridade penal para 16 anos também. Tudo isso é necessário. São várias ações em conjunto (para melhorar a segurança). Desde manter as estradas bem conservadas até a educação do povo. Tudo faz parte de um ciclo muito grande que tem que ser percorrido.

Em relação a 2013. Vocês comentaram que têm músicas que tratam do caminhoneiro. Tem algo programado para o público do transporte?Zezé Di Camargo – Depende muito, porque a música não é uma coisa que a gente faz de forma exata. Música é inspiração, é momento. As músicas que temos que falam de caminhoneiro não são de autoria nossa. São de autoria de outros compositores, de São Paulo. O que nos leva a gravar uma música falando do caminhoneiro e do transporte não é simplesmente pelo tema. A música também tem que ser boa. Não adianta falar de um tema importante, mas falar mal, sem qualidade. Então, se aparecer a música, e a música nos convencer como uma música boa, vamos gravar sim. É difícil falar que vamos gravar, porque as músicas vão surgindo e você vai montando o repertório de seu disco. É como se fosse um quebra-cabeça. Vai achando os lugares e colocando cada música no seu devido lugar dentro de um projeto.

Como vocês veem o Prêmio CNT de Jornalismo, que é um prêmio que valoriza e homenageia reportagens relevantes para a melhoria do transporte de cargas e de passageiros no Brasil, que fala de denúncias, falta de mobilidade, segurança. Como é para vocês estarem aqui?Zezé Di Camargo – Ficamos felizes por sermos convidados. Primeiro porque é uma classe que admiramos muito. Além da classe trabalhadora do transporte, também têm aqui jornalistas que estão falando sobre o tema. Ficamos felizes e gratos pelo convite de cantar para um público exigente, que são vocês jornalistas. A responsabilidade aumenta. Queremos congratular a ideia do prêmio. Sabemos que esse é considerado o prêmio mais importante do Brasil. Ficamos muito felizes e mais uma vez com a responsabilidade dobrada.  (Com Kátia Maia) 

Fonte: Cynthia Castro - Agência CNT de Notícias
Publicado em 08/01/2013 no site http://www.cnt.org.br/Paginas/Agencia_Entrevistas

Nenhum comentário:

Postar um comentário