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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Empresas, trabalhadores e passageiros querem auditoria na Urbs


Presidente do Setransp, Dante Gulin, em audiência pública realizada nesta sexta-feira pela Urbs sobre a tarifa de ônibus em Curitiba e Região Metropolitana. Tanto as empresas como os trabalhadores defendem uma auditoria nas contas da gerenciadora dos transportes. Para as entidades, não se pode eleger “vilões”, como os salários dos motoristas e cobradores e as integrações com os ônibus metropolitanos, para justificar os rombos nos cofres da empresa, que é de economia mista e não pode ser analisada pelos Tribunais de Conta. Foto: Agência Paranaense de Notícias AndObe
Empresas de ônibus, trabalhadores e passageiros querem auditoria na Urbs
Audiência pública sobre tarifas em Curitiba e Região Metropolitana foi marcada por debates. Números da gerenciadora foram contestados por empresas, trabalhadores e representantes de passageiros
ADAMO BAZANI – CBN
Apesar de ser considerado um dos melhores sistemas de mobilidade urbana no País, sendo até exemplo mundial, a RIT – Rede Integrada de Transporte, em Curitiba e Região Metropolitana, passa por problemas financeiros.
A Urbs – Urbanização Curitiba S.A, empresa de economia mista que gerencia os transportes na região, diz que, por conta da diferença da tarifa cobrada dos passageiros (hoje em R$ 2,60) e da tarifa técnica (que representa os custos reais do sistema e que hoje está em R$ 2,89), acumula déficits que comprometem investimentos e que podem por em risco integrações, principalmente entre a capital e os municípios vizinhos.
Na tarde desta sexta-feira, dia 22 de fevereiro, foi realizada uma audiência pública, promovida pela Urbs para mostrar os custos do sistema.
Apesar da apresentação dos números, os representantes de trabalhadores, empresas de ônibus e de passageiros não ficaram plenamente satisfeitos.
O presidente do Setransp – Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana – Paraná, Dante Gulin, quer que seja realizada uma auditoria na contas da Urbs.
O prefeito de Curitiba, Gustavo Freut, já havia declarado também o interesse para que sejam esclarecidas as entradas e saídas de recursos da empresa gerenciadora.
Segundo o representante de uma das confederações de passageiros, a situação da Urbs é, no mínimo, passível de mais esclarecimentos.
A empresa é de economia mista, portanto com participação do poder público e da iniciativa privada. No entanto, menos de 1% é de capital privado.
Só isso, porém, já impede que a Urbs passe por auditorias dos Tribunais de Contas do Município, Estado e União.
Outros representantes de passageiros contestaram o motivo pelo qual, mesmo com mudanças de administrações públicas, a Urbs mantém sempre os mesmos profissionais, obviamente sem concurso. Foi defendida uma renovação dos quadros da empresa.
Dentre os fatos que desagradaram os participantes, está o que se pode chamar de escolha de “vilões do sistema”.
Entre eles, estão os salários dos motoristas e cobradores e o custo do passageiro das linhas intermunicipais.
Segundo a Urbs, enquanto o custo do passageiro na Capital pode chegar a R$ 2,78, o da região metropolitana custaria aos cofres públicos R$ 4,10. Com isso, a tarifa técnica do sistema pode ser de até R$ 3,05
Os valores foram contestados pelos participantes que tomaram a palavra, que temiam que a “culpa dos déficits da Urbs” recaia sobre os serviços metropolitanos e que a Urbs sinalize com uma ação que possa prejudicar os passageiros das cidades vizinhas de Curitiba.
Além disso, na integração, se na ida o dinheiro ou os créditos da arrecadação entra pela região metropolitana, na volta, a entrada de recursos se dá nas catracas dos ônibus, estações e terminais da Capital, havendo um equilíbrio.
O que empresários e usuários defenderam foi a manutenção dos subsídios do Governo Estadual para garantir as integrações metropolitanas, que beneficiam os passageiros e estimulam o uso dos transportes coletivos em várias cidades e não apenas na Capital.
Os trabalhadores também temem ser considerados os vilões dos rombos da Urbs.
O presidente do Sindimoc – Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, Anderson Teixeira, disse que é necessário “abrir a caixa-preta” da Urbs e que não é justo atribuir somente aos salários da categoria os motivos para os reajustes das tarifas ou aumento dos custos do sistema.
“Sempre que há aumento na passagem, fala-se que o peso é o reajuste aos trabalhadores, mas não é, existem muitas coisas erradas na Urbs, muita coisa deve ser revista. Falta transparência e clareza para o curitibano. No passado o salário chegou a ser de mil passagens, hoje não chega a 500” – disse o representante sindical.
Segundo o diretor jurídico da Urbs, Rodrigo Grevetti, os gastos com pessoal, incluindo salários, benefícios e impostos sobre e a folha de pagamentos, representam 45% do custos dos transportes em Curitiba e Região Metropolitana. Ele também explicou como é feito o cálculo do peso dos combustíveis na tarifa, usando a tabela da ANP – Agência Nacional de Biogás, Biocombustíveis e Petróleo, e como se chega ao valor de outros custos, como lubrificantes, rodagem (incluindo o valor dos pneus no mercado), peças e serviços de terceirizados para manutenção e limpeza.
O presidente da Urbs, Roberto Gregório, se defende e disse que a empresa busca transparência e por conta disso realizou a audiência pública, deixando cientes dos problemas financeiros de Curitiba e Região Metropolitana diversos agentes da sociedade, inclusive o Ministério Público. Ele fez um balanço positivo da audiência, apesar das críticas.
O governador do Paraná, Beto Richa, prometeu no ano passado analisar a continuidade dos subsídios para as integrações e outros benefícios no sistema, mas não deu resposta concreta se vai manter ou não a complementação de receita.
Publicado em 23/02/2013 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

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