Motorista Comprometido

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Notícias

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Presidenta Dilma lança campanha de trânsito


Brasília – A presidenta Dilma Rousseff lançou hoje (21) uma campanha pela conscientização no trânsito, em cerimônia com a presença de pessoas que sofreram acidentes de trânsito, esportistas e artistas. A campanha é permanente, tem ações para conscientizar os motoristas e reduzir acidentes e mortes. As atividades integram o Pacto Nacional pela Redução de Acidentes.

Com as ações, o governo busca atingir a meta firmada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em 50% os óbitos decorrentes de acidentes no trânsito entre 2011 e 2020. Em 2010, a ONU proclamou o período citado como Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito.

A presidenta Dilma Rousseff disse que governo e a sociedade devem cooperar para que o desenvolvimento econômico do Brasil não traga apenas bens materiais e mais veículos para as ruas, mas também o fortalecimento dos valores de preservação da vida. E registrou que a indústria automobilística também deve se empenhar para elevar o padrão de segurança.

Precisamos, numa relação cooperativa com a indústria, elevar os padrões de segurança dos automóveis e as exigências para que muitos jovens não morram em acidentes de trânsito”, disse Dilma. Dados do Ministério da Saúde apontam que o maior número de óbitos é de jovens na faixa etária de 21 a 29 anos.

O lançamento da campanha faz parte das ações da Semana Nacional do Trânsito de 2012, que começou na última terça-feira (18) e termina no dia 25.

A atriz Cissa Guimarães, que perdeu um filho vítima de atropelamento, em 2010, discursou durante o evento e destacou a necessidade de que toda a sociedade seja mobilizada em torno de um pacto pelo respeito às leis de trânsito.

Precisamos fazer um pacto de mobilização para que cada um de nós respeite as regras no trânsito. A educação para o trânsito começa dentro de nossas casas, com nosso filhos. Precisamos fazer um pacto para acabar com a sensação de impunidade e para que os agentes de fiscalização não sejam coniventes com o desrespeito”, disse.

Os dados mais recentes sobre acidentes de trânsito do Ministério da Saúde são de 2010 e mostram que neste ano 42.844 pessoas morreram nas estradas e ruas do país. O maior crescimento foi o de acidentes envolvendo motos com cerca de 10.820 mortos em 2010.

Os números do ministério apontam que, em 2010, os gasto total do Sistema Único de Saúde (SUS) com acidentes de trânsito foi de R$ 187 milhões.

A partir deste fim de semana começa ser veiculada uma campanha na televisão como parte do Pacto Nacional pela Redução de Acidentes. Outras ações estão previstas para ocorrer até fevereiro de 2013 em rodovias, escolas, eventos culturais e esportivos.

Fonte: Yara Aquino - Repórter da Agência Brasil

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Nova lei dos caminhoneiros ameaça escoamento de safra histórica de soja


A nova lei dos caminhoneiros vai causar caos no escoamento da maior safra de soja da história. Esse é o alerta de Fábio Trigueirinho, secretário-geral da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).
O cumprimento da lei, que exige períodos de descanso de 30 minutos a cada quatro horas de rodagem para os motoristas, começa a ser cobrado daqui a 180 dias. O prazo coincide com o escoamento da safra de soja do ano que vem, que vai ser a maior da história, segundo a Abiove -81 milhões de toneladas.
“Se a lei vigorasse em um período normal, já haveria elevação de cerca de 30% no custo de logística. Com a mudança ocorrendo bem no meio do escoamento da safra recorde, não vai ter frete para escoar tudo isso, vai ser um caos”, disse à Folha Fábio Trigueirinho.
Os produtores de soja do país querem que o prazo seja ampliado para um ano, em vez de 180 dias.
A lei ia entrar em vigor neste ano, mas o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) baixou uma resolução estabelecendo um prazo de 180 dias para os ministérios dos Transportes e do Trabalho elaborarem uma lista das rodovias que têm áreas adequadas de descanso.
Nelas, será cobrado o cumprimento da lei e haverá fiscalização. São consideradas áreas adequadas aquelas que têm condições sanitárias e de conforto para descanso do motorista, com alojamentos e refeitórios.
A assessoria do Denatran (e do Contran) disse à Folha que não está prevista a prorrogação do prazo de 180 dias para o início da fiscalização.
A assessoria afirma que os produtores terão de buscar estradas alternativas para escoar a safra -estaduais ou federais nas quais não estará valendo a fiscalização- se acharem que a lei está impossibilitando o transporte.
Cerca de 70% do escoamento da soja é feito em caminhões, segundo a Abiove.
Não se sabe exatamente o que o governo vai considerar como áreas adequadas de descanso.
A BR-163 (Cuiabá-Santarém) é uma das principais estradas usadas para escoar a soja de Mato Grosso, e não tem áreas de descanso adequadas, diz Trigueirinho. Já em São Paulo, a Castelo Branco e a Bandeirantes, por onde também passa boa parte da safra, devem ser afetadas.
“Não somos contra a lei, mas precisamos de um prazo maior para aumentar o número de motoristas e de caminhões”, diz.
Além dos descansos de meia hora, os caminhoneiros serão obrigados a respeitar uma hora diária para almoço e repousar por 11 horas a cada 24 horas trabalhadas.
Segundo o Ministério dos Transportes, só a minoria das estradas tem áreas de descanso. Muitas teriam de ser construídas ou adaptadas.
Fonte: Folha

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Estradas com Áreas para Descanso - Noticia Importante

Olá pessoal,

Segundo informações divulgadas no site "Blog do Caminhoneiro", é que os ministérios dos Transportes e do Trabalho e Emprego vão publicar no Diário Oficial da União, em até 180 dias, uma lista com as estradas que tem essas áreas para descanso.

Considero importante esse posicionamento no sentido de conhecer todas as áreas para descanso dos motoristas, porque desta maneira será possível saber a realidade brasileira das infraestruturas realmente preparadas para acolher os profissionais durante a viagem. Sinais dos novos tempos!

Existem alguns pontos de paradas que tem uma ótima estrutura digna de receber as pessoas, porém muitos paradouros que estão funcionando em precárias condições de higiene, alimentação, etc... que requer uma interdição pelas autoridades competentes para que seja mantido em funcionamento os serviços oferecidos as pessoas.

A Lei 12.619/2012 chegou para agregar mais valor a todos profissionais, sem dúvida, já está gerando mudanças culturais que trarão mais segurança, conforto e confiabilidade a todos que prestam serviços profissionais na sociedade. Esse tempo para fazer revisão nas áreas para descanso é um sinal de avanço nessa longa estrada de mudanças que virão.

"Motorista Profissional preparado  e com ótimas condições para o exercicio profissional é um diferencial na sociedade!

Abraço e sucesso,

Palestrante José Rovani
Palestras VIP para Motoristas Profissionais - Hands On
Contato para palestras: treinamentos@highpluss.com.br
http://palestranterovani.blogspot.com



Contran diz que fiscalização deve ser só em rodovias com pontos de apoio

O Conselho Nacional de Trânsito (Conatran) aprovou, nesta quarta-feira (12), uma nova resolução sobre a Lei do Descanso para caminhoneiros. O órgão recomenda que a fiscalização dos motoristas seja feita apenas em rodovias que ofereçam condições de parada. A decisão foi tomada devido à falta de estrutura para cumprir a nova legislação.
A lei estabelece que os motoristas têm que descansar 30 minutos a cada quatro horas trabalhadas, além do direito a intervalo mínimo de 11 horas ininterruptas por dia. Quem descumprir essas exigências pode ser multado em R$ 127,69, mais a perda de cinco pontos na carteira de habilitação. Os critérios de fiscalização ainda não foram definidos.
Os ministérios dos Transportes e do Trabalho e Emprego vão publicar no Diário Oficial da União, em até 180 dias, uma lista com as estradas que tem essas áreas para descanso. “A resolução estabeleceu que naqueles lugares aonde não existirem pontos adequados para o repouso do motorista, não poderia ser realizada a fiscalização. E, por outro lado, naqueles aonde existem, a fiscalização seria já realizada a partir de 180 dias”, explicou o advogado especialista em trânsito Ildson Duarte.
A Polícia Rodoviária, por enquanto, apenas orienta os caminhoneiros e faz a vistoria de rotina, que inclui a verificação dos documentos, das condições do caminhão e se tem ou não tacógrafo. Mas o comandante está preocupado e diz que vai ser difícil cumprir a nova determinação.
“A gente fiscaliza o tacógrafo e se constatar que ele não respeitou o tempo de descanso é feita a autuação e solicitado ao motorista que faça o descanso, mas aí que mora o problema porque não temos locais para colocar todos esses veículos”, afirmou o comandante da Polícia Rodoviária de Araraquara, tenente Nelson Carrijo.
Reclamação
Entre os caminhoneiros, há muita indiganção. “De Santos pra cá não tem um posto, não tem uma para de apoio para dormir. Só tem na cabeceira da Serra uma e não tem mais nenhuma. Daqui para o interior não tem mais nada”, reclamou o motorista Bruno Vasconcelos.
“A gente tem que rodar muita distância pra poder encontrar um ponto de apoio pra gente ficar num lugar seguro, sem ter problema de roubo de caminhão”, completou o colega Leonilson dos Santos.
O caminhoneiro Ademir José de Souza viaja de Goiás para Jundiaí em um trajeto de 1,1 mil quilômetros. Ele disse que no trajeto não encontrou nenhum ponto de parada adequado.
“A gente só encontra postos com bem menos estrutura que esse, que cabem 20 caminhões no máximo. Então é bem difícil mesmo. Pra não tomar multa, a gente tem que correr esse risco, de parar em beira de pista ou dependendo do lugar tem que parar na própria pista, porque não tem nem acostamento. Os riscos são roubos, acidentes, então é complicado”, afirmou.
Isso quando os postos permitem que os caminhoneiros durmam no local. “Às vezes é a gente chegar e o pessoal do posto já vem perguntar se a gente vai demorar porque ali não pode dormir, é só pra cliente”, desabafa a ajudante de caminhoneiro, Liege Francisco.
Reposições
O gerente de logística de uma empresa de transportes, Luiz Oliani, disse tem uma frota de 30 veículos e já investiu R$ 1 milhão para cumprir a determinação. Precisou comprar quatro caminhões e contratar mais cinco motoristas. “Como você tem uma perda de eficiência, você tem que repor isso aumentando sua capacidade produtiva, ou seja, eu tenho que ter mais veículos e mais funcionários pra conseguir fazer o mesmo volume de serviço que prestava antes”, justificou Oliani.
Fonte: EPTV

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Caminhoneiros preparam protesto contra Lei do Descanso


Os caminhoneiros ameaçam fechar rodovias a partir desta terça-feira em razão da chamada Lei do Descanso. Sancionada no dia 2 de maio, a lei 12.619 até agora era apenas educativa, mas a Polícia Rodoviária Federal passará a multar os infratores.
O principal objetivo é reduzir o número de acidentes envolvendo caminhões . A norma estabelece que os motoristas profissionais precisam descansar meia hora a cada quatro horas ao volante e 11 horas ininterruptas entre dois dias de trabalho. Eles reclamam, no entanto, entre outras coisas que não existem postos de parada com infraestrutura suficiente para cumprir essa determinação.
Para saber se o motorista está cumprindo a lei, os policiais vão analisar o tacógrafo dos caminhões. Caso tenha dirigido mais tempo que o permitido, o motorista será autuado e encaminhado a um local de descanso. A lei prevê multa de R$ 127,69, além da perda de cinco pontos na carteira de habilitação.
Os caminhoneiros pedem o adiamento do início da fiscalização e ameaçam protestos se houver multas. Por enquanto, conseguiram apenas a promessa de que a fiscalização não vai valer nos casos em que o descanso não tenha sido realizado por falta locais apropriados nas estradas. Entidades ligadas aos caminhoneiros ainda negociavam com o Ministério dos Transportes na tarde desta segunda-feira.
O procurador do Trabalho de Mato Grosso, Paulo Douglas Almeida de Moraes, ingressou com habeas corpus preventivo no Tribunal Regional do Trabalho, em Brasília, para evitar que rodovias sejam fechadas.
Fonte: Exame

Lei da jornada do motorista começa a multar nesta terça-feira



lei motorista

Depois de ser adiada, fiscalização sobre cumprimento da carga horária da Lei do Motorista que deveria começar em julho tem início nesta terça-feira com multa. Ministério dos Transportes promete bom senso. Estradas continuam sem estrutura para paradas em várias regiões. Órgão alega que altas jornadas de trabalho sem descanso para caminhoneiros é um dos grandes motivos de acidentes nas estradas.


Lei do motorista: fiscalização com multa começa nesta terça-feira
Motoristas devem parar a cada 4 horas de viagem e o descanso contínuo deve ser de no mínimo 11 horas.
ADAMO BAZANI – CBN
A partir desta terça-feira, dia 11 de setembro, começará a fiscalização com multa sobre o cumprimento da lei que regulamenta a profissão de motorista. A multa é de R$ 127,69 e cinco pontos na carteira de habilitação.
As verificações nas estradas deveriam ter começado no final de julho, mas depois da greve dos caminhoneiros e protestos da categoria, foram adiadas, tendo início agora.
A lei vale tanto para motoristas de ônibus e caminhões, mas os caminhoneiros se dizem mais prejudicados por não terem condições de parar em postos para descanso e pela legislação limitar a jornada de trabalho, reduzindo os ganhos principalmente de quem trabalha por conta.
A cada quatro horas de viagem, o motorista deve parar meia hora. Ele pode rodar por mais uma hora se não achar parada nestas quatro horas. Além disso, o intervalo de descanso contínuo entre uma jornada e outra deve ser de no mínimo 11 horas.
As fiscalizações serão feitas com bases em aparelhos de GPS de empresas de ônibus e transportadoras, tacógrafos de caminhões e até mesmo pela perícia dos policiais.
A principal queixa dos caminhoneiros é que não há pontos de paradas seguros suficientes espalhados pelo país.
O adiamento da fiscalização de julho para esta terça-feira dia 11 de setembro, teve como condição a flexibilização dos tempos estipulados para descanso e também formas de oferecer os pontos de parada.
Mas pouca coisa avançou neste prazo.
A falta de estrutura nas estradas ainda é grande. Mas também é grande, argumenta o Ministério dos Transportes, o perigo que caminhoneiros e outros motoristas correm por causa do excesso de jornada de trabalho.
Muitos motoristas de caminhão ficam mais de 20 horas sem parar ao volante, dirigem cansados e até sob o efeito de substâncias tóxicas para mantê-los acordados, ocasionando acidentes.
O Ministério dos Transportes, em nota, informou que fará fiscalizações com bom senso. Onde há mais estrutura, como São Paulo, a atuação será mais rigorosa.
Ainda segundo o órgão, nas últimas reuniões, todas as associações de representação de caminhoneiros aceitaram a lei.
Algumas delas, no entanto, contestam e não descartam a possibilidade de novas manifestações.
Publicado em 11/09/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

sábado, 8 de setembro de 2012

Caminhoneiros querem mais tempo para adaptação às novas regras


A partir da próxima semana começa a valer a fiscalização do período obrigatório de descanso para os caminhoneiros. Os caminhoneiros se reuniram na terça-feira (4) com o governo pra tentar adiar esse prazo.
Eles conseguiram o apoio de deputados. Uma comissão vai propor que a fiscalização educativa, sem punição, continue por mais 240 dias. Resumindo, os caminhoneiros querem mais oito meses sem multas, apenas com orientação.
A BR-153, no interior de São Paulo, é ponto de paradas rápidas. Lá é possível encontrar um caminhoneiro que usa cocaína, segundo ele, para aguentar o cansaço.
“Você não sabe o que você está fazendo, entendeu? E dali, você está um morto vivo. Seu corpo está ali, mas sua mente não está. E aí você fica vendo coisa.”, conta.
Para evitar essas longas jornadas, a lei foi criada, e define turnos de trabalho. Os caminhoneiros tentaram adiar o início da fiscalização. Queriam mais oito meses para que a lei fosse colocada em prática. Mas o governo confirmou que as novas regras começam a valer a partir de terça-feira.
Pela lei os caminhoneiros são obrigados a ter 11 horas de descanso diário. A cada 4 horas na direção, o motorista tem que fazer uma pausa de 30 minutos e também tem direito a uma hora de refeição.
De acordo com o Ministério dos Transportes, a fiscalização será feita com bom senso. “Perto dos pontos de parada eu vou fiscalizar. Se o camarada tiver lá, pelo registro do tacógrafo dele esgotado o tempo de direção, mais a flexibilização, eu vou pedir a ele para se dirigir ao ponto de parada que ele acabou de passar um quilômetro atrás, vai parar o caminhão lá”, explica Marcelo Perrupato, secretário de Política Nacional de Transportes do Ministério dos Transportes.
Caminhoneiros contrários à lei fizeram barulho em Brasília. Alegam que as pausas reduzem os ganhos dos que trabalham como autônomos. E reclamam que, em muitos lugares, não há onde parar com segurança.
“No transporte rodoviário de carga, é impossível de ser cumprida a lei por causa da falta de infraestrutura que tem no país. A falta de ponto de apoio, de segurança nas rodovias”, afirma Nélio Botelho, presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro.
Caminhoneiros prometeram novos bloqueios em estradas, como os que foram feitos em julho.
Mas o Ministério Público do Trabalho diz que vai agir. “O Ministério Público do Trabalho não vai, não admitirá mais bloqueios de rodovia ilegítimos e que defendem interesses ilegítimos e, portanto, lançará mão de medidas judiciais necessárias para que com o apoio, se for o caso da força policial, as rodovias brasileira sejam desobstruídas”, afirma Paulo Douglas, procurador do Ministério Público do Trabalho.
O procurador do Ministério Público do Trabalho informou que 4 mil caminhoneiros morrem por ano por causa do excesso de trabalho.
Vídeo:

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Ministério vai discutir sobre pontos de parada para descanso em estradas


O Jornal Nacional mostrou, nessa terça-feira (4), um caminhoneiro que foi de São Paulo a Porto Alegre praticamente sem descansar. Na volta, ele cumpriu as novas regras do descanso obrigatório, que serão fiscalizadas a partir de terça-feira (11). Nessas duas viagens, de ida e de volta, o motorista usou medidores de fadiga. Os repórteres José Roberto Burnier e Marcelo Benincassa mostram os resultados.
“Você pensar e olhar para trás ‘pô, mas fiz tanta coisa errada. Imprudência, velocidade’. Não adianta dizer que não faz porque faz. É aquela cobrança do horário, chegar na hora certa no cliente”, diz o caminhoneiro Marciano Hoffmann.
A coisa errada a que Marciano se refere é dirigir muito e descansar pouco. Uma rotina na vida desse caminhoneiro que, como muitos, recebe por frete. Quanto mais viaja, mais ganha.
Só que quanto mais viaja e menos descansa, maior é o risco de acidente. Foi esse cansaço de Marciano que dois sensores mediram.
Os dados foram analisados no laboratório do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo. O doutor Marco Túlio de Mello há muito pesquisa a influência da falta de descanso nos acidentes de trânsito. Primeiro, ele fala sobre a viagem de São Paulo até Porto Alegre.
“O Marciano teve uma jornada muito pesada, um tempo total de trabalho altíssimo, com muito tempo acordado. Isso faz com que a pessoa tenha uma redução muito grande do processo decisório, ou seja, de decidir. Eu preciso frear, eu preciso acelerar, eu posso ultrapassar ou eu não posso. Automaticamente isso leva um nível de fadiga e uma sonolência muito grande”, explica o especialista do Centro de Estudo em Sonolência e Acidentes da Unifesp.
A equipe do Jornal Nacional chegou a Curitiba por volta de 4h e percebeu que ele já estava exausto. Mello comenta o risco que o grupo correu naquele momento.
“Altíssimo. Porque esse horário, 4h, é o horário que o nosso organismo está menos preparado para resistir ao sono. É o horário que mais nos favorece dormir”.
Na viagem de ida, um gráfico aponta uma grande zona de risco de acidente para Marciano. Na volta, nada.
“O gráfico é diferente na volta porque ele teve tempo para descansar. Aí se a gente observar nos gráficos, em todo o estudo, ele não entrou, em nenhum momento, em risco”, aponta Mello.
Na comparação, fica claro o benefício da lei. Na volta, a viagem foi 12 horas mais longa, mas Marciano dirigiu bem mais descansado. Ele dormiu mais e melhor do que na ida.
“Nós precisamos dar condição para esses trabalhadores executarem a sua função de uma maneira mais correta. Ou seja, eles precisam ter um lugar de descanso. Não adianta ele estar jogado no meio do mato ou em um posto de gasolina que tem um alto índice de assalto e ainda corre risco porque ele não dorme, ele superficializa o sono. É um sono pobre”, ressalta Mello.
Áreas de apoio com a infraestrutura necessária para o caminhoneiro descansar são muito raras nas estradas brasileiras. Apesar de a lei impor paradas aos motoristas profissionais, o Governo Federal vetou o artigo que obrigava as concessionárias de rodovias a construírem as áreas de descanso.
A justificativa do Ministério dos Transportes é que isso poderia aumentar o preço do pedágio.
“Nós vamos colocar em debate em audiência pública essa possibilidade dos novos concessionários incluírem nas suas obrigações essas instalações de pontos de parada. Nas atuais fica muito difícil porque isso significa rompimento de contrato e rompimento de contrato abre uma brecha para várias outras coisas que viriam por trás disso. Então a gente prefere evitar”, diz o secretário de Política Nacional de Transportes, Marcelo Perrupato.
O médico diz que o mais importante é preservar a vida.
“Para que ele volte para casa e veja a filha dele, a esposa dele, e, principalmente, nós tenhamos um trânsito mais seguro, onde as pessoas que estão trafegando na rodovia possam entender que aquele caminhoneiro que está do lado ali está descansado e não vai colocar a vida dele em risco”, justifica Mello.
Vídeo:

Fonte: Jornal Nacional

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Falha humana


Dirigir cansado continua entre as principais causas de acidentes envolvendo veículos de carga nas rodovias brasileiras. Dados da Polícia Rodoviária Federal revelam que o envolvimento de ao menos um veículo de carga a cada quatro acidentes nas estradas ocorre, em geral, devido ao cansaço e à exaustão dos motoristas, após extenuantes jornadas de trabalho. Dos 192,1 mil acidentes ocorridos em rodovias federais no ano passado, 66,6 mil (34,7%) envolveram caminhões.
De acordo com estudos promovidos pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), as causas primordiais de acidentes nas rodovias brasileiras são a fadiga (18%) e sono (42%) perfazendo uma estatística de 60% de todos os acidentes, destacando que 93% são provocados pela falha humana. “Costumamos dizer que hoje, em todo acidente rodoviário tem um motorista profissional envolvido e que o motivo principal é o excesso de trabalho”, explica Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor do departamento de medicina ocupacional da Abramet.
Um dos objetivos da Lei 12.619 que regulamenta a profissão de motorista e traz significativas modificações no Código de Trânsito Nacional (CTB), é justamente tentar garantir o descanso do motorista para aumentar a segurança nas estrada. De acordo com as novas regras previstas no artigo 67-A do Código de Trânsito Brasileiro, o motorista deve realizar um intervalo de onze horas entre um dia e outro de viagem, podendo fracionar 9 2 horas e fazer descansos de 30 minutos a cada quatro horas de direção. A infração é considerada grave e a multa é de R$ 127,69. Conforme cita o Dr. Dirceu, o carreteiro necessita de melhor qualidade de vida e não viver escravizado pelo trabalho.
“Atualmente, o motorista é submetido ao estresse físico pelo excesso de movimento e estresse psicológico. Após quatro horas na direção veicular tem lapso de atenção e com oito horas déficit de atenção, quando a possibilidade de acidente aumenta em duas vezes. A nossa recomendação é que durma pelo menos oito horas em local sem barulho, trânsito de pessoas e com pouca ou nenhuma luz”, aconselha o médico.
Fonte: O Carreteiro